AMIGOS

22/03/2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO 004: DIREITO À FELICIDADE

Nenhum comentário:
DIREITO À FELICIDADE

     Uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou o dia 20 de março como o Dia Internacional da Felicidade. Para celebrar a data, a entrevista desta semana no quadro "Saiba Mais", do canal do Supremo Tribunal Federal (STF) no YouTube, é com o advogado e professor Saul Tourinho Leal.
Ele explica como o Judiciário no Brasil já tem arbitrado conflitos com base no direito à felicidade como, por exemplo, a decisão do STF que reconheceu a união homoafetiva, associando o direito à felicidade com a garantia de liberdade assegurada aos seres humanos.
     O advogado ressalta que, embora a palavra felicidade não esteja expressa no texto constitucional, como ocorre em outros países, a Constituição de 1988 estabelece entre seus objetivos o de instituir um Estado democrático que assegure o direito ao bem-estar.
(Disponível em: stf.jus.br/portal/cms. Acesso em 22/03/2017.)


     Estatuto do homem
     (Thiago de Mello) 
  
     Artigo I 
     Fica decretado que agora vale a verdade. 
     agora vale a vida, 
     e de mãos dadas, 
     marcharemos todos pela vida verdadeira. 
    
     Artigo II
     Fica decretado que todos os dias da semana, 
     inclusive as terças-feiras mais cinzentas, 
     têm direito a converter-se em manhãs de domingo. 
    
     Artigo III 
     Fica decretado que, a partir deste instante, 
     haverá girassóis em todas as janelas, 
     que os girassóis terão direito 
     a abrir-se dentro da sombra; 
     e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, 
     abertas para o verde onde cresce a esperança. 


     A felicidade é tema que já foi esmiuçado por muitas artes e ciências humanas, como a filosofia e poesia. Trata-se de uma noção indefinível, tamanha sua amplitude e complexidade, altera-se de pessoa para pessoa, mas é buscada por todos. Sendo conceito individual, é dever do Estado, com a evolução das gerações de direito, garantir o mínimo essencial para que o homem possa buscar a sua felicidade, por meio da concretização dos Direitos Sociais.
     No Direito Comparado, já se encontra positivado em muitos textos legais o direito a busca da felicidade, sendo apresentado no ano de 2010, pelo então Senador da República Cristovam Buarque, um Projeto de Emenda a Constituição que altera o Artigo 6º da Constituição da República Federativa do Brasil para constar que os Direitos Sociais são essências à busca da felicidade.
(Disponível em: ambitojuridico.com.br/site. Acesso em 22/03/2017.)

Direito à felicidade na Constituição Brasileira de 1988: Utopia ou realidade?

     A acepção etimológica/filosófica da palavra felicidade advém do grego eudaimonia, derivada dos termos eu (“bem-disposto”) e daimon (“poder divino”) expressão concebida pelos filósofos da Antiguidade que a designavam como a busca pela sabedoria, em razão de que o fim das ações humanas, individuais ou coletivas, consistiram na perquirição pela sabedoria e por conseguinte, na própria busca pela felicidade.
     Para Sócrates, a felicidade está intimamente relacionada com a virtude e a justiça, uma vez que, embora a satisfação dos desejos e as necessidades do corpo resultem prazer, nem todas as sensações permitidas corresponderão à felicidade, pois sua conduta pessoal também deverá ser justa e virtuosa. Nesse ínterim, Platão dá azo aos ensinamentos de Sócrates para descobrir a verdadeira virtude, entendendo que a felicidade deveria ser fundada no “autocontrole, na disciplina, na abnegação e no desvio quanto aos excessos, mesmo que prazerosos.”
     Noutro vértice, na visão de Aristóteles, a felicidade também consiste em ter uma vida virtuosa, contudo, esta só é alcançável pela atividade, dada a necessidade do homem em conquistar bens espirituais e materiais. Desse modo, entende-se que a felicidade é autossuficiente, uma vez que é caracterizada como um fim em si mesmo, e não como meio para atingir seus resultados.
(Adap. de: SANTOS, Patrick da Silva. Disponível em: portaldeperiodicos.idp.edu.br. Acesso em 22/03/2017.)

     Em fins do ano passado, foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a denominada Emenda Constitucional da Felicidade, que introduz no artigo 6.º da Constituição Federal, relativo aos direitos sociais, frase com a menção de que são estes essenciais à busca da felicidade. Assim, pretende-se alterar o artigo 6.º da nossa Carta Magna para direcionar os direitos sociais à realização da felicidade individual e coletiva. O texto sugerido é o seguinte: "Art. 6.º - São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição".
     Segundo o senador Cristovam Buarque, a mudança na lei vai forçar os entes públicos a garantir condições mínimas de vida aos cidadãos, ao lado de se "humanizar a Constituição brasileira para tocar o coração com a palavra felicidade". Igualmente, na Câmara dos Deputados, foi apresentada emenda constitucional pela deputada gaúcha Manuela D"Ávila, cuja justificativa é "elevar o sentimento ou estado de espírito que, invariavelmente, é a felicidade, ao patamar de um autêntico direito". Pondera-se, também, que a busca individual pela felicidade pressupõe a observância da felicidade coletiva. Há felicidade coletiva quando são adequadamente observados os itens que tornam mais feliz a sociedade.
(Disponível em: opiniao.estadao.com.br/noticias. Acesso em 22/03/2017.)

     ORIENTAÇÕES: Utilize o texto de apoio para entender o conceito de felicidade ao longo da história e quais debates em torno desse direto têm sido promovidos. Empregue as técnicas de composição de textos de tipologia injuntiva instrucional para redigir, em no mínimo 15 linhas, um texto no estilo autoajuda que verse sobre a busca da felicidade.  

15/03/2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO 003: ESTATUTO DA FAMÍLIA

Nenhum comentário:
ESTATUTO DA FAMÍLIA

     Artigo 226º: A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. 
(Brasil. Constituição Federal. 1988.)


     O que é o Estatuto da Família? É um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados. O texto desse projeto tenta definir o que pode ser considerado uma família no Brasil. Ou seja, o projeto propõe regras jurídicas para definir quais grupos podem ser considerados uma família perante a lei.
            (Disponível em: cartacapital.com.br. Acesso em: 25/10/2015.)

     Em sessão marcada por polêmicas, discussões entre os parlamentares e divergências sobre o Regimento da Câmara, a Comissão Especial do Estatuto da Família (PL 6583/13) rejeitou, nesta quinta-feira (08/10/2015), os quatros destaques ao substitutivo do relator, Diego Garcia (PHS-PR), aprovado no dia 24.
Com a rejeição das propostas de mudança, fica mantido o texto integral do substitutivo e a votação, em caráter conclusivo, está concluída. O texto reconhece família como “a entidade familiar formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos”.
(Disponível em: camara.leg.br/camaranoticias/noticias. Acesso em 20/07/2016.)


     O Estatuto da Família veio num momento bastante oportuno. Nunca a principal instituição da sociedade e o matrimônio foram tão atacados como nos dias atuais. Basta ver crianças e adolescentes sendo aliciados para o mundo do crime e das drogas, a violência doméstica, a gravidez na adolescência, os programas televisivos cada vez mais imorais e violentos, sem falar na visível deturpação do conceito de matrimônio e na banalização dos valores familiares conquistados há décadas. Tudo isso repercute negativamente na dinâmica psicossocial do indivíduo. O Estatuto da Família não deveria causar tanto alvoroço no que se refere ao conceito de família. A definição não é minha e de nenhum parlamentar. É a Carta Constitucional que, assim, restringe sua composição. Não tem nada a ver com preconceito ou discriminação.
(Sóstenes Cavalcante, Deputado federal pelo PSD. Disponível em: congressoemfoco.uol.com.br. Acesso em 20/07/2016.)


Estatuto da Família na agenda do retrocesso do Congresso em 2016

     Na lista da agenda conservadora do Congresso em 2016, o Estatuto da Família voltará a ser discutido na Câmara Federal logo após o recesso parlamentar. O projeto foi aprovado em outubro do ano passado  por uma comissão especial composta por fundamentalistas religiosos, em articulação com o presidente da casa, Eduardo Cunha. De autoria do deputado Anderson Ferreira (PP-PE), que é evangélico, o texto principal define como família a união entre homem e mulher, e exclui a união homoafetiva de direitos já conquistados como herança, guarda dos filhos e inclusão do(a) parceiro(a) em planos de saúde, dentre outros. Como o projeto tramita em caráter conclusivo, poderia ir direto para apreciação no Senado, entretanto, a deputada Érika Kokay (PT-DF) e o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), contrários ao projeto, entraram com recurso para que o texto seja apreciado e barrado na Câmara. Para isso,  precisa do apoio de 10% dos deputados.
     Se aprovado, o estatuto irá retirar direitos de outras pessoas cuja composição familiar não é a de união entre homem e mulher, como homens e mulheres sem filhos e exclui diversos arranjos familiares, não apenas a família homoafetiva. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu por unanimidade a união estável para casais do mesmo sexo, e ficou estabelecido que companheiros (as) em relação homoafetiva teriam os mesmos direitos e deveres das famílias formadas por homens e mulheres. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também deu legalidade ao casamento civil em 2013. Contraria, por exemplo, os direitos reprodutivos das mulheres, já que, no art.3º do substitutivo do parecer do relator, inclui a expressão “direito à vida desde a concepção”, além de dificultar o acesso aos serviços da saúde.
(Disponível em: cut.org.br/noticias/estatuto-da-familia. Acesso em 20/07/2016.)
  
     Um dos destaques rejeitados é o do deputado Glauber Braga (PSol-RJ) que pedia a votação em separado de emenda do deputado Bacelar (PTN-BA), pois Braga propõe entidade familiar como “núcleo social formado por duas ou mais pessoas unidas por laços sanguíneos ou afetivos, originados pelo casamento, união estável ou afinidade”. Segundo ele, o substitutivo é discriminatório e preconceituoso e retira direitos de milhões de brasileiros que não se enquadram no conceito de família aprovado. Além disso, destacou que decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em 2011, a união estável para casais do mesmo sexo. O deputado ressaltou que as crianças adotadas por casais homoafetivos serão prejudicadas pelo Estatuto da Família.
(Disponível em: camara.leg.br/camaranoticias/noticias. Acesso em 20/07/2016.)


     Estatuto da Frescura! Na teoria é lindo: papai, mamãe e filhinho, mas, na prática, pais que abandonam os filhos, mães que não têm condições de criar e empurram para os avós, pais que morrem e os filhos precisam ser criados por terceiros, daí em diante. Vamos parar de idiotice e trabalhar para, de fato, melhorar este país.
(Disponível em: camara.leg.br/camaranoticias/noticias. Acesso em 20/07/2016.)

     A ONU no Brasil disse estar acompanhando “com preocupação” a tramitação, no Congresso Nacional, da Proposição Legislativa que institui o Estatuto da Família, especialmente quanto ao conceito de família e “seus impactos para o exercício dos direitos humanos”. Citando tratados internacionais, a ONU afirmou ser importante assegurar que outros arranjos familiares, além do formado por casal heteroafetivo, também sejam igualmente protegidos como parte dos esforços para eliminar a discriminação: “Negar a existência destas composições familiares diversas, para além de violar os tratados internacionais, representa uma involução legislativa”.
(Disponível em: nacoesunidas.org. Acesso: 20/07/2016.)

     ORIENTAÇÕES: Utilize o texto de apoio para entender o projeto, em tramitação no Congresso Nacional, sobre o Estatuto da Família e quais debates em torno desse conceito têm sido promovidos. Empregue as técnicas de composição de textos de tipologia injuntiva prescritiva para redigir, em torno de 8 linhas, o conceito de família mais adequado para a manutenção dos Direitos Humanos e dos direitos já garantidos na Constituição Federal.  

08/03/2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO 002: VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

Nenhum comentário:
VARIAÇÃO LINGUÍSTICA

     Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.
(Organização das Nações Unidas. Declaração Universal dos Direitos Humanos.)


     Festa do Arnesto
     (Adoniran Barbosa)

     O Arnesto nos convidô pra um samba, ele mora no Brás
     Nós fumo, não encontremo ninguém
     Nós vortermo com uma baita de uma reiva
     Da outra vez, nóis num vai mais [...].

     Uma língua nunca é falada da mesma forma, sendo que ela estará sempre sujeita a variações, como: diferença de épocas (o português falado hoje é diferente do português de 50 anos atrás), regionalidade (diferentes lugares, diferentes falas), grupo social (uso de “etiqueta”, assim como gírias por determinadas “tribos”) e ainda as diferentes situações (fala forma e informal). Além das variações já citadas, há ainda outras variações, como, modo de falar de diferentes profissionais (linguagem técnica da área), as gírias das diferentes faixas etárias, a língua escrita e oral.
(Adap. de: infoescola.com. Acesso em: 22/02/16.)

     Variação linguística (ou variação) é o conjunto das diferenças de realização linguística falada pelos locutores de uma mesma língua. Tais diferenças decorrem do fato de um sistema linguístico não ser unitário, mas comportar vários eixos de diferenciação: estilístico, regional, sociocultural, ocupacional e etário. A variação e a mudança podem ocorrer em algum ou em vários dos subsistemas constitutivos de uma língua (fonético, morfológico, fonológico, sintático, léxico e semântico). O conjunto dessas mudanças constitui a evolução dessa língua. [...] Refere-se a cada uma das modalidades em que uma língua se diversifica, em virtude das possibilidades de variação dos elementos do seu sistema (vocabulário, pronúncia, sintaxe) ligadas a fatores sociais ou culturais (escolaridade, profissão, sexo, idade, grupo social etc.) e geográficos (tais como o português do Brasil, o português de Portugal, os falares regionais, etc.).
(Adap. de: wikipedia.org. Acesso em: 22/02/16.)


     Vício na fala
     (Oswald de Andrade)

     Para dizerem milho dizem mio
     Para melhor dizem mió
     Para pior pió
     Para telha dizem teia
     Para telhado dizem teiado
     E vão fazendo telhados [...].

     As variações acontecem porque o princípio fundamental da língua é a comunicação, então é compreensível que seus falantes façam rearranjos de acordo com suas necessidades comunicativas. Os diferentes falares devem ser considerados como variações, e não como erros. Quando tratamos as variações como erro, incorremos no preconceito linguístico que associa, erroneamente, a língua ao status. 
(Adap. de: portugues.uol.com.br. Acesso em: 22/02/16.)

Dialeto e registro

     As variedades linguísticas corroboram a ideia de dinamismo da língua: de acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas, a língua sofre variações que melhor se adaptam às necessidades de determinado grupo. Entre os tipos de variações linguísticas estão os dialetos e registros, fenômenos que comprovam na prática que não existe um modelo linguístico a ser seguido na modalidade oral.
     É chamada de dialeto a variedade de uma língua própria de uma região ou território. Devem ser consideradas também as diferenças linguísticas originadas em virtude da idade dos falantes, sexo, classes ou grupos sociais e da própria evolução histórica da língua: pessoas que se identificam e utilizam uma linguagem mais ou menos comum, com vocabulário, expressões e gírias próprias do grupo.
     Chamamos de registros as variações que ocorrem de acordo com o grau de formalismo existente em uma determinada situação: há situações em que a variedade padrão, ou norma culta, é a melhor opção, aquela que estabelecerá uma maior sintonia entre os interlocutores. Nas entrevistas de emprego, em redações para concursos e vestibulares e em exposições públicas, por exemplo, a variedade linguística exigida, na maioria das vezes, é a padrão, por isso é indispensável conhecê-la bem.
(Adap. de: portugues.uol.com.br. Acesso em: 23/02/16.)


     Chopis centis 
     (Mamonas Assassinas)

     Eu di um beijo nela
     E chamei pra passear.
     A gente fomo no shopping
     Pra mode a gente lanchar.
     Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
     Até que tava gostoso, mas eu prefiro aipim.
     Quanta gente, quanta alegria,
     A minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia.

     Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.
     Pra levar a namorada e dar uns rolezinho,
     Quando eu estou no trabalho,
     Não vejo a hora de descer dos andaime.
     Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger
     E também o Van Damme. 

Classificação das variações linguísticas

     Variações diafásicas: Representam as variações que se estabelecem em função do contexto comunicativo, ou seja, a ocasião é que determina a maneira como nos dirigimos ao nosso interlocutor, se deve ser formal ou informal. 

     Variações diatópicas: São as variações ocorridas em razão das diferenças regionais, como, por exemplo, a palavra “abóbora”, que pode adquirir acepções semânticas (relacionadas ao significado) em algumas regiões que se divergem umas das outras, como é o caso de “jerimum”, por exemplo. 

     Variações diastráticas: São aquelas variações que ocorrem em virtude da convivência entre os grupos sociais. Como exemplo podemos citar a linguagem dos advogados, dos surfistas, da classe médica, entre outras. 

     Variações diacrônicas: São aquelas que apresentam uma mudança linguística histórica, aos diferentes estágios pelos quais qualquer língua passa no decorrer do tempo. 

     ORIENTAÇÃO: Utilize o texto de apoio e acrescente à sua pesquisa livros, artigos, reportagens e sites para compor um resumo indicativo (mapa mental) sintetizando o conteúdo da aula anterior, sobre Preconceito linguístico, e o conteúdo desta, sobre Variação linguística. Empregue as instruções e técnicas de elaboração fornecidas em aula, utilizando os recursos cognitivos visuais indicativos, como fluxogramas e chaves dicotômicas. Use como título o mesmo das unidades de conteúdos.  

01/03/2017

PROPOSTA DE REDAÇÃO 001: PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Nenhum comentário:
PRECONCEITO LINGUÍSTICO

Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação.
(Organização das Nações Unidas. Declaração Universal dos Direitos Humanos.)


Evocação do Recife
(Manuel Bandeira)

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada [...] .

O preconceito linguístico é aquele gerado pelas diferenças linguísticas existentes dentre de um mesmo idioma. De tal maneira, está associado as diferenças regionais, tais como dialetos, regionalismos, gírias e sotaques, os quais são desenvolvidos ao longo do tempo e que envolvem os aspectos históricos, sociais e culturais de determinado grupo. É um dos tipos de preconceito mais empregado na atualidade e pode ser um grande propulsor da exclusão social.
(Adap. de: todamateria.com.br/preconceito-linguistico/. Acesso em: 22/02/16.)

 Parece haver, nos dias de hoje, uma forte tendência a lutar contra as mais variadas formas de preconceito, a mostrar que eles não têm nenhum fundamento racional, nenhuma justificativa, e que são apenas o resultado da ignorância, da intolerância ou da manipulação ideológica. Infelizmente, porém, essa tendência não tem atingido um tipo de preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Muito pelo contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de televisão e de rádio, em colunas de jornal e revista, em livros e manuais que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”, sem falar, é claro, nos instrumentos tradicionais de ensino da língua: a gramática normativa e os livros didáticos.
(Adap. de: BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico.)

Meninos e meninas
(Legião Urbana)

Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes [...].

É por meio de uma língua que o ser humano se individualiza, em um movimento contínuo de busca de identidade e de distinção. É isso, enfim, que nos torna humanos e nos diferencia de todos os outros animais. Não existe sujeito sem língua. Mesmo as pessoas com deficiências diversas adotam um sistema de comunicação. Quem é surdo, por exemplo, usa a linguagem de sinais. Sendo assim, não existe razão para que tenhamos preconceito com relação a qualquer variedade linguística diferente da nossa.
Preconceito linguístico é o julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro ou da própria fala. O problema maior é que as variedades mais sujeitas a esse tipo de preconceito são, normalmente, as com características associadas a grupos de menos prestígio na escala social ou a comunidades da área rural ou do interior. Historicamente, isso ocorre pelo sentimento e pelo comportamento de superioridade dos grupos vistos como mais privilegiados, econômica e socialmente.
(Disponível em: revistagalileu.globo.com. Acesso em: 23/02/16.)


A ditadura é você: Da censura à Adoniran Barbosa 
ao elitismo nas redes sociais

A ditadura (de esquerda, centro ou direita) produz de mortes e traumas diversos como torturarem crianças a crimes mais prosaicos, e ainda assim perigosos, como a censura à letra de uma música de Adoniran Barbosa. O mais incrível e digno de nota é o fator subjetivo levado em consideração para o veto: falta de gosto. À parte a óbvia incapacidade do censor em entender a licença poética e irônica da música, ele impõe o seu gosto e visão pessoal do mundo sobre a obra de um artista consagrado, sobre a liberdade de expressão deste artista e, principalmente, sobre uma população.
A imposição de gostos, modos, condutas e pensamento é tão perigosa quanto armas, especialmente quando baseadas apenas em fatores subjetivos. Infelizmente, isto não acontece só em ditaduras oficiais ou institucionalizadas. Acontece todo dia e feito por pessoas como eu, você ou nossos vizinhos e colegas de trabalho. Acontece na maior parte das mensagens em redes sociais, sites pessoais, blogs e afins, onde todo mundo quer se mostrar mais entendido, mais sábio, mais bonito e impor seus gostos, conceitos, modos e condutas como o único correto e digno. Mesmo as pessoas que defendem minorias ou grupos prejudicadas, frequentemente têm o mesmo comportamento e esquecem do direito do outro existir, falar, defender uma ideia diferente, ouvir música “ruim” (“isto não é música” é frase corrente por aí) ou mesmo ser idiota.
Conhecido como o mais paulistano dos compositores, Adoniran Barbosa usava em suas canções o jeito coloquial de falar dos paulistas. Não querendo problemas com a censura, em 1973, o artista decidiu lançar um álbum com várias canções já gravadas na década de cinquenta. Inesperadamente, cinco delas foram censuradas, entre elas, Tiro ao Álvaro. Na imagem, podemos observar que a funcionária responsável pela análise, escreveu a falta de gosto impede a liberação da letra. E ainda frisa as três palavras que, segundo ela, não deveriam estar presentes na música por não respeitar a forma gráfica correta.
(Disponível em: celsobessa.com.br. Acesso em: 23/02/16.)

MEC distribui livro que aceita erros de português

O Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação (MEC), distribuiu a cerca de 485 mil estudantes jovens e adultos do ensino fundamental e médio uma publicação que faz uma defesa do uso da língua popular, ainda que com incorreções. Para os autores do livro, deve ser alterado o conceito de se falar certo ou errado para o que é adequado ou inadequado. [...]  Uma das autoras do livro, Heloisa Ramos afirmou, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que não se aprende a língua portuguesa decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários.  
O ensino que a gente defende é um ensino bastante plural, com diferentes gêneros textuais, com diferentes práticas de comunicação para que a desenvoltura linguística aconteça - disse Heloisa Ramos. [...] Em nota encaminhada ao Jornal Nacional, o Ministério da Educação informou que a norma culta da língua será sempre a exigida nas provas e avaliações, mas que o livro estimula a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade. O propósito também, segundo o MEC, é discutir o mito de que há apenas uma forma de se falar corretamente.
(Disponível em: oglobo.globo.com. Acesso em 23/02/16.)

A gramática é um compêndio de regras importantes para a manutenção do idioma. Imagine se não tivéssemos um manual ao qual pudéssemos consultar na ocorrência de uma dúvida? Imagine se as regras não existissem e, por esse motivo, cada falante resolvesse estabelecer suas próprias normas? Viveríamos em uma verdadeira “torre de Babel”, e nossa língua portuguesa estaria fadada ao esquecimento. Quando falamos em preconceito linguístico, não estamos propondo que os falantes rasguem a gramática, mas sim que considerem as duas modalidades do idioma: oral e escrita, assim como a existência de uma língua culta e de uma língua coloquial. Dizer que alguém “fala errado” desconsidera diversos fatores extralinguísticos, como as variações existentes em cada comunidade, cada região, cada contexto cultural.
(Disponível em: portugues.uol.com.br. Acesso em: 23/02/16.)

ORIENTAÇÃO: Escolha um dos mitos sobre a língua portuguesa relatados pelo professor Marco Bagno no livro Preconceito linguístico e elabore um resumo informativo empregando as instruções e técnicas de elaboração fornecidas em aula. Neste primeiro momento, não utilize os recursos cognitivos visuais indicativos, como fluxogramas e chaves dicotômicas. Empregue como título mesmo usado no capítulo do livro.